sexta-feira, dezembro 31, 2010

Qual cor? Minha cor!

31 de dezembro é provavelmente o dia em que 99% de nós pensamos o que queremos para o próximo ano. Claro que todos dizemos 'obrigado pelo ano que passou', poucos realmente parando para pensar no que aconteceu nos últimos 364 dias, mas não esquecemos de pedir mais e mais.

Eu, como humana que sou, claro que me peguei fazendo exatamente isso. Sorte minha que encontrei amigos que não via há tempos, e eles pediram uma atualização dos últimos tempos. Quando me escutei, só me sobrou uma reação possível: que ano! Com certeza cheio de transformações, desafios, oportunidades, decisões cruciais e aprendizados. O número 1 deste último foi aprender a respeitar a mim mesma, aos meus sentimentos, à minha intuição. Aprender a me ouvir com atenção.

Passamos boa parte do tempo pensando que podemos deixar para amanhã considerar o que sentimos que é o certo para hoje, acreditando que podemos controlar o tempo. 'The problem with time is that eventually time always runs out'. Sim, o mundo gira, o tempo passa. O que é certo hoje, pode não ser certo amanhã.

Enquanto estava contando do meu ano que passou e pensando em que cor vestir para o próximo ano, percebi que nenhuma cor está relacionada com este respeio a nós mesmos. Amor, paixão, dinheiro, paz, sucesso, etc fazem parte do processo mas só são possíveis em sua totalidade quando somos honestos com nós mesmos. Então, decidi que a única coisa que quero em 2011 é conseguir continuar me ouvindo e olhando para frente; o resto virá naturalmente.

'the key to transforming our hearts and minds is to have an understanding of how our thoughts and emotions work' - Dalai Lama

Feliz 2011!

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Inoportuna | Jorge Drexler

"Quien no lo sepa ya
lo aprenderá de prisa:
la vida no para, no espera, no avisa.
Tantos planes, tantos planes vueltos espuma
tu, por ejemplo, tan a tiempo y tan inoportuna

Eran más bien los días de arriar las velas.
Toda señal a mi alrededor decía: cautela.
Cuánta estrategia incumplida aquella noche sin luna
tu, por ejemplo, tan bienvenida y tan inoportuna

¿Quien sabe cuándo, cuándo es el momento de decir: ahora?
Si todo alrededor te está gritando: ¡Sin demora, sin demora!"

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Walking looking to the sun so that the shadows stay behind

Minha mãe sempre disse: 'o futuro a Deus pertence'. Por mais que eu tente controlar cada passo e cada consequência, sempre acabo em uma situação onde penso 'talvez não era a hora' ou 'suprise, surprise, quem diria'. E então, lembro da minha mãe. Sim, o futuro a Deus pertence.

Gastamos tanta energia planejando que esquecemos de viver. E, quando vivemos, geralmente vivemos para os outros: o que vão pensar, o que vão dizer. Pergunto, então: quando vivemos para nós mesmos? O que vamos aprender, o que vamos guardar, o quanto vamos vibrar, o quanto vamos constantemente nos adaptar.

Não sei se este padrão se repete a todos, mas sempre que tento insistentemente forçar alguma coisa, a vida me apresenta com outra para fazer de meus planos migalhos e mudar completamente meu rumo. E sempre de uma maneira e rapidez que não dê para analisar cada variável envolvida. É ou não é, decida-se e ponto.

Quando penso sobre isso, uma das coisas que vem à minha cabeça é que nossa grande dificuldade em lidar com as surpresas do futuro é se desvincilhar das coisas do passado, já que é difícil deixar o conhecido para trás e olhar para o papel em branco. É difícil não saber. Se vidas passadas realmente existem, não tenho dúvidas que isso era algo que tinha dificuldade de lidar e voltei nessa vida para tentar de novo. Distância, saudade, encontros e desencontros e mudanças bruscas há tempos estão na primeira fileira do meu dia-a-dia. Meu desafio diário é levar a memória e os aprendizados de tudo o que vivo nas minhas andanças e continuar olhando para a frente.

Outra dia escutei uma frase que dizia: "we all want things to stay the same. We settle to live in misery because we are afraid of change, of things crumbling to ruins. Ruin is a gift, ruin is a road to transformation". Pode ser doloroso deixar as coisas para trás, mas mais doloroso ainda é um dia perceber que se viveu do passado e não das surpresas de cada novo dia.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Because you can't be a hero without taking changes

Em momentos quando a mente está confusa, dizem que o melhor a fazer é colocar para fora. Desabafar com amigos pode ser escutar o que você não está preparado para ouvir; com o terapeuta pode ser achar mais milhares de dúvidas que no final fazem sentido. Como esta segunda opção envolve um investimento e a primeira pode gerar discussões desnecessárias para quem precisa colocar os pensamentos em ordem, cabe a cada um achar uma alternativa. A minha é escrever.

Com tantas mudanças em tão pouco tempo, resolvi voltar a me aventurar com as palavras já que elas podem ser um caminho para ver o sentido e propósito das muitas coisas que tenho vivido. O que será que preciso aprender?

Mais de dois anos desde a última vez que postei aqui. O que foram esses dois anos? Com certeza muito crescimento e questionamento. Mas, no meio de tudo, acabei esquecendo de quem eu era. Desconectando-me. Silenciando minha essência e sufocando minha alma. Deixando as peças do quebra cabeça soltas, sem conseguir montar o quadro, e me conformando com isso. O que fazer quando se percebe que esta é a realidade que você aceitou viver? Pensar que um dia as peças se encaixarão para manter a sensação de que o conhecido é muito mais aconchegante que o recomeço? Para alguns esse pode ser o caminho mais lógico. Claro, é o mais seguro. Mas, para outros, seguir este caminho pode se tornar tão pesado e sufocante que acaba se tornando mais árduo que o desconhecido. Eu me encaixo neste segundo grupo.

Em geral temos duas possibilidades: sofrer a consequência de saber o que poderia ter sido, ou conviver com a dúvida do que poderia ter sido. Minha concepção sempre foi que somente as grandes escolhas são capazes de mudar o caminho à frente, mas aprendi que não. Aprendi no último mês que cada pequena escolha, escolhas muito simples, pode mudar completamente o que vem pela frente. De certa forma, estamos a cada minuto reescrevendo nosso futuro. Por isso, o medo deve ser um impulsionador para um caminho com mais quedas e mais aprendizados, e não um bloqueador que nos transporta direto para uma história sem vida.

Quando se desconecta, é sinal que talvez seja a hora de recomeçar. Reconectar-se e se reescrever numa versão ainda mais forte. Coragem é o tempero principal, amor próprio é a base. Não é possível ser feliz sem ser livre: 'a liberdade é o espaço que a felicidade precisa'. E para provar a felicidade, uma dose de dor é inevitável. Não se pode crescer sem entrar em contato com o sofrimento. Não se pode ser herói sem se arriscar.

Fine Line | Paul McCartney

"There is a fine line between recklessness and courage
It is about time you understood which road to take
It is a fine line and your decision makes a difference
Get it wrong you will be making a big mistake
...
Whatever is more important to you
You've gotta choose what you want to do
Whatever is more important to be
Well that is the view that you got to see
There is a long way between chaos and creation
If you don't say which one of these you are going to choose
It is a long way
And if every contraction seems the same
It is a game that you're bound to lose"